Internacional


30/11/2019

O que se sabe sobre o autor de ataque que deixou dois mortos na ponte de Londres?

Usman Khan Direito de imagem West Midlands Police
Image caption Usman Khan, de 28 anos, já havia sido preso por sua participação em um plano para bombardear a bolsa de valores da cidade.

A polícia identificou Usman Khan, de 28 anos, como o autor do ataque na London Bridge, região central de Londres, que deixou duas vítimas mortas, além de outras três feridas. Ele foi baleado e morto pela polícia na tarde desta sexta-feira (29/11), depois de ser contido por cidadãos.

Assim, ele recebeu licença da prisão em dezembro do ano passado e morava em Stafford desde então. Ele nasceu e foi criado em Stoke-on-Trent, um município da Inglaterra que fica a noroeste de Londres.

Khan foi originalmente preso junto com outras oito pessoas. Os homens, inspirados pela ideologia da Al-Qaeda, estavam sob vigilância do MI5, serviço de segurança britânico.

O grupo de nove homens estava envolvido na elaboração de vários planos, um dos quais envolvia um planejamento para colocar uma bomba na Bolsa de Londres.

Eles também foram ouvidos discutindo possíveis ataques na cidade de Stoke-on-Trent, inclusive deixando dispositivos explosivos em banheiros de bares e clubes na região.

Direito de imagem Police handout
Image caption Em imagem de câmera de segurança, Usman Khan é o segundo da direita para a esquerda.

Khan foi monitorado em uma conversa sobre "como construir uma bomba tubo (pipe bomb)", a partir de uma receita em uma revista da Al-Qaeda.

Os homens também estavam financiando uma proposta de "madraça" (casa de estudos islâmicos) no exterior, que deveria ser usada para treinamento de uso de armas de fogo e que contaria com a participação de Khan.

A decisão do tribunal de apelação disse: "Os grupos estavam claramente considerando uma gama de possibilidades, incluindo a arrecadação de fundos para o estabelecimento de uma madraça de treinamento militar no Paquistão, onde eles se comprometiam a treinar a si mesmos e recrutavam outras pessoas para fazer a mesma coisa, enviando cartas-bomba pelo correio, atacando casas públicas usadas por grupos racistas britânicos, atacando um alvo importante com um dispositivo explosivo e um ataque ao estilo de Mumbai ".

E acrescentou que eles tinham "sérios planos de longo prazo" para enviar Khan e outros recrutas para "treinamento e experiência terrorista".

"Se retornassem ao Reino Unido, estariam treinados e teriam experiência em terrorismo."

"Eles se envolveram com outros que estavam pensando em ataques de curto prazo no Reino Unido, mas se consideravam jihadistas mais sérios do que os outros".

Outro homem que foi preso ao lado de Khan, Mohibur Rahman, foi mais tarde considerado culpado por outra conspiração terrorista após sua libertação da prisão.

Direito de imagem AFP
Image caption Área isolada pela polícia britânica após ataque a faca na região central de Londres

O ataque

O ataque começou no início da tarde da sexta-feira no Fishmongers Hall, no extremo norte da London Bridge, onde uma conferência sobre reabilitação de prisioneiros estava ocorrendo e da qual Khan estava participando.

Tudo começou dentro do prédio, antes de prosseguir para a ponte, onde Khan foi detido por membros do público antes de ser baleado pela polícia.

Dois homens foram vistos segurando o agressor e um homem foi visto se afastando segurando uma faca grande que haviam recuperado.

Um homem e uma mulher foram mortos durante o ataque e três outras pessoas (um homem e duas mulheres) também ficaram feridos e estão no hospital.

Até a publicação da reportagem, nenhum dos mortos ou feridos havia sido identificado e os policiais ainda estavam trabalhando para identificar os que morreram.

O jornalista da BBC John McManus, que estava na região, disse que viu um grupo de homens brigando na ponte. A polícia então chegou e houve troca de tiros, disse ele.

"Há alguns minutos eu estava andando pela London Bridge na parte sul em direção à parte norte. Parecia haver uma briga do outro lado da ponte, com vários homens atacando um homem. A polícia então chegou rapidamente, inclusive polícia armada, e vários tiros foram disparados em direção ao homem", disse McManus ao canal da BBC News.

O sistema de transporte britânico chegou a fechar a estação de metrô que fica no local, mas ela já foi reaberta. O entorno da ponte, no entanto, segue com acesso bloqueado.

Direito de imagem PA Media
Image caption Polícia fechou a London Bridge, no centro de Londres, após o ataque

O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, fez um pronunciamento em que elogiou a coragem dos funcionários dos serviços de emergência, bem como "a extraordinária bravura dos membros do público que intervieram fisicamente para proteger a vida de outras pessoas".

"Para mim, eles representam o melhor do nosso país e agradeço a eles em nome de todos", disse ele.

Johnson diz ter ficado triste de saber que algumas pessoas foram feridas no ataque e "sentimos por elas e seus entes queridos".

"Posso garantir a todos que qualquer pessoa envolvida neste crime, nesses ataques, será levada à justiça", disse ele.

"E acho que a mensagem que enviamos a eles e a qualquer pessoa associada a esse tipo de ataque é que este país nunca será intimidado ou dividido por causa desse tipo de ataque e nossos valores, nossos valores britânicos, prevalecerão."

O primeiro-ministro disse ainda que, até onde se sabe, o incidente está "sob controle", mas pediu que as pessoas fiquem vigilantes.

Falando antes de uma reunião de emergência do governo, na noite de sexta-feira, Boris Johnson disse: "Há muito tempo argumento que é um erro permitir que criminosos sérios e violentos saiam da prisão mais cedo. É muito importante abandonar esse hábito e aplicar as sentenças apropriadas para criminosos perigosos, especialmente para terroristas, que acho que é o que o público deseja ver".

O prefeito de Londres, Sadiq Khan, elogiou a coragem das pessoas que "correram em direção ao perigo sem nem mesmo saber o que as esperava", e disse que a população não seria dividida pelo ocorrido.

"Sou prefeito da maior cidade do mundo. Um dos nossos pontos fortes é a nossa diversidade. Mas sabemos que existem pessoas por aí que odeiam nossa diversidade e tentam nos dividir. O que é surpreendente hoje é que vimos em um indivíduo, o suspeito, o pior da humanidade, mas também vimos na resposta de membros do público, mas também de nossos serviços de emergência, o melhor da humanidade. A mensagem que quero enviar hoje é que não permitiremos que ninguém nos divida", disse Khan.

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